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O risco de Golpe Militar no Brasil é real? Como detectar?

Convocar um ato para iniciar a sustentação ideológica mínima o bastante para fechar o Congresso brasileiro não é uma operação fortuita qualquer. A convocação de apoio nas ruas associada de intenções Golpistas explícitas no seu sentido “clássico”; ou seja, o modelo de Golpe Militar utilizado na América Latina entre as décadas de 1960 e 1970 exige um contexto que vai muito além de um ou dois indivíduos influentes e eventuais manifestações em redes sociais. Esta movimentação costuma se auto-denunciar em articulações que não são realizadas sem que suas pegadas estejam no radar, como por exemplo manobras navais com participação norte-americana. Esta é uma das questões centrais neste momento.


Uma coisa que poucos têm mencionado é o cálculo do risco efetivo de Golpe Militar. Discutir este tema não é minimizar a gravidade das convocações atabalhoadas e cafonas nas redes sociais dos atos para o dia 15 de Março mas investigar o risco para que seja possível impor um freio proporcional. A Direita local é e sempre foi cafona, terceiro-mundista e covarde. A covardia da Direita inclusive é especialmente visível quando ela mobiliza a classe média aloprada que se torna a bucha de canhão do Golpe sem saber que ela própria será alvo num eventual fechamento do Regime. Foi assim no Golpe de 1964 e esta realidade parece não ter sofrido tantas alterações do século passado para este.


Entretanto, o melhor indício concreto de Golpe Militar é quando manobras navais suspeitas acontecem. Um Golpe Militar não é uma atividade qualquer: é uma manobra de peso imenso na Geopolítica Mundial, em especial se envolve um país do tamanho do Brasil com seus mais de 210 milhões de habitantes. O tabuleiro de xadrez Mundial, ao contrário do que se imagina é quase que inteiramente determinado por forças navais. Inclusive, o que poucos atentam é que o elo mais poderoso das Forças Armadas na era da Globalização é a Marinha e não o Exército. A Marinha é aquela que garante as vias de acesso marítimas em um Mundo cuja lógica de dominação econômica está centrada na produção, circulação e consumo que se realizam mediante rotas marítimas pelas quais o Imperialismo e suas frotas navais detém controle com rédeas curtas.


É sempre importante lembrar que uma movimentação de Golpe no Brasil só pode ocorrer se os militares tiverem retaguarda de fora. Jamais as Forças Armadas fechariam o Congresso na ausência de retaguardas, ou seja, só com o “brilho” da dentadura estragada do General Heleno. E mais do que isso, não se pode ler os eventos políticos internos do Brasil como eventos isolados ou efêmeros. O Brasil é o quinto maior país do Mundo, com uma população imensa e, após o Golpe de 2016 (que também possui a bênção dos Militares) já tem o status de nação latino-americana ocupada. O Brasil já é um protetorado norte-americano desde o final da administração Obama. Não esqueçamos também que o Golpe de 2016 só ocorreu porque contou com uma coordenação quase que inteira do Departamento de Justiça dos EUA – subordinado a normativas do Complexo Militar-Industrial do Império. Quem não sabe desta informação ainda? A Operação Lava-Jato foi um empreendimento norte-americano de sucesso que conseguiu eliminar a concorrência emergente dentro do cenário da indústria monopolista da construção civil em solo internacional sob domínio dos países centrais do Capital. A Operação Lava Jato detonou uma parcela significativa da indústria brasileira e a afastou do cenário de “business” internacional. Com a operação, o Brasil como potência emergente voltou a se resumir a um país latino-americano subordinado à Doutrina Monroe. Como tal passou a obedecer bovinamente os EUA. Essa situação inclusive ganha tons caricaturais no próprio governo Bolsonaro, completamente obediente aos EUA, sem o menor tipo de questionamento. Este panorama ocorre especialmente num contexto onde os EUA se vêem enlameados num acirramento da crise econômica internacional e confrontado com o peso de nações emergentes rivais como China, Rússia e Índia. Era necessário garantir no hemisfério Ocidental as rédeas curtas em relação ao Brasil e quebrar o bloco dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Além disso tudo, para complementar o estrago, a Lava Jato teve ainda a missão de permitir o enfraquecimento daquela que era uma das maiores empresas estatais do Mundo, a Petrobrás, em um ramo de fundamento estratégico na Economia Mundial, as reservas de Petróleo e o controle produtivo de seus derivados. Uma boa parte da recompensa do “juiz” Sérgio Moro todos já conhecem. E além disso, todos estas mudanças exigiam um novo regime voltado para as novas doutrinas do Fundo Monetário Internacional que pudessem esfolar até o último fio de cabelo dos trabalhadores brasileiros, um pacote de austeridade capaz de abrandar a crise do Capital financeiro internacional. Que outra nação vulnerável e populosa seria tão oportuna neste projeto que não o Brasil? E atingir o Brasil é automaticamente abrir a porta para a rédea curta de toda a América Latina, o quintal dos EUA.


Ocorre que as transformações caóticas do Golpe e as sucessivas crises contraditórias emergentes do ventre do próprio processo enfermo pelo qual o Brasil atravessa não se dá por via tranquila. A indigência, a violência, o desemprego, a superexploração do trabalho, a escalada da informalidade, a escalada dos preços e a piora nas condições de vida de um país subjugado por uma Economia Mundial em profunda crise não se dão de forma impune. As reações populares nesta guerra de classes de escala estratosférica não tardam a acontecer e a respingar em ondas nas instituições do Estado: Executivo, Congresso, Tribunais, Forças Armadas, imprensa corporativa e no dia a dia dos grandes centros urbanos e também no campo. Diante de um quadro de tamanha crise, apelações fascistas abertas já começam a despontar como única maneira de sobrevida da Burguesia diante dos riscos envolvidos.


Este percurso é quase que inteiramente esperado. O que mais poderíamos esperar do Golpe de 2016? A pacificação de um país que foi rachado ao meio para impor uma política de devastação social? Neste contexto, um Golpe Militar já é um tema presente, mais do que em outras ocasiões recentes. Agora resta saber se o grau de organização do Golpe já atingiu um nível de organização que possa garantir a palavra das convocações do Executivo brasileiro ou se são ainda espasmos desesperados de um regime em crise e em queda. Em uma presidência hoje onde boa parte das pastas ministeriais foram entregues a militares, é plausível acharmos que os militares não deixariam se perder o “respeito”. Imagine o impacto político em um caso de Impeachment. Este é um dado central no atual imbróglio.


Um Golpe Militar “puro sangue” hoje não é mais uma mera ruptura democrática porque ela em grande medida já foi realizada com o Golpe de 2016 (e reitero, o Golpe de 16 teve anuência e bênção dos militares também). A atual escalada Golpista deve ser lida como “Golpe no Golpe”, ou seja, a possibilidade de que o Golpe de 2016 e tudo que ele representa para burguesia local e internacional continue prevalecendo só que agora com um recrudescimento do regime. Não é de agora que se fala em fechamento do regime, essa possibilidade já está presente desde os meses iniciais do Governo Bolsonaro e as reiteradas menções ao AI-5 como mecanismo de contenção social. Caso o projeto ultraliberal de Paulo Guedes não surta efeitos populares almejados (algo difícil inclusive de ocorrer porque a nova plataforma de poder não tem pretensão popular – o governo atual foi terceirizado pelos bancos para governar para os bancos e não para a população), o fechamento do regime já é colocado publicamente no hall de possibilidades.


O risco de um Golpe Militar jamais deve ser afastado mas detectar a sua amplitude é uma tarefa importante em meio a especulações muito presas a indivíduos e suas “twitadas”. A pergunta a ser feita é: o Golpe terá novamente participação ativa da Marinha norte-americana? Há prognósticos de movimentação suspeita no Atlântico Sul para o mês de Março em diante? Esta é uma das perguntas fundamentais do momento. Sem esta informação, não há como fechar o diagnóstico de maneira mais completa. Daí a importância de jornalistas investigativos irem atrás dessa informação ao invés de interpretar mensagens em redes sociais.


Diante de dimensões supra-nacionais de um eventual Golpe, qual seria o sentido de apelar para Congresso e Supremo Tribunal Federal? Estas são duas instituições que fizeram vistas grossas à intervenção do Departamento de Justiça Norte-Americano na Operação Lava Jato e no Golpe de 2016. Que possamos elevar a qualidade do que é discutido no país incluindo sempre a dimensão internacional porque o Brasil não é a “ilha da fantasia”, o país está inteiramente implicado no jogo do tabuleiro Mundial. Fonte: A Postagem.


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