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Líderes indígenas se unem contra projeto do governo para destruir suas terras


A reunião aconteceu na aldeia Piaraçu, no Xingu, Mato Grosso. Foto: Erik Marky Terena - Mídia Índia


Mais de 600 lideranças indígenas se reuniram e exigiram, em carta enviada para o Congresso Nacional, o fim da grilagem de suas terras e da perseguição a suas lideranças.

“Não aceitamos garimpo, mineração, agronegócio e arrendamento de nossas terras. Não aceitamos madeireiros, pescadores ilegais, hidrelétricas e outros empreendimentos (…) que venham nos impactar de forma direta e irreversível. Repudiamos a perseguição e a tentativa de criminalização das nossas lideranças”, dizem os indígenas de 47 etnias na carta.


A reunião, que aconteceu na aldeia Piaraçu, no Xingu, Mato Grosso, reafirmou a liderança do cacique Raoni e de outros presentes, em oposição a indígenas de direita que Bolsonaro levou a encontros internacionais mesmo sem ter respaldo no movimento indígena.


“Exigimos que o Congresso reconheça legalmente as autoridades indígenas que decidem em favor das comunidades, pautadas a partir de reivindicações coletivas e não individuais”.

Para o cacique Raoni, “esse encontro não é para planejar uma guerra, um conflito. Estamos aqui para defender nosso povo, nossa causa, nossa terra. Eu quero pedir mais uma vez que o ‘homem branco’ nos deixe viver em paz, sem conflito, sem problema. Eu nunca faria um encontro para atacar alguém. Estamos nos reunidos aqui para nos defender”.


“Bolsonaro está falando muito mal da gente (…) Não está atacando só índio, mas está atacando índio mais forte ainda [que outra pessoa]”, acrescentou Raoni.

No governo Bolsonaro, grileiros passaram a ter maior liberdade para perseguir lideranças indígenas que impedem seu avanço sobre as terras demarcadas. Em novembro, Paulo Paulino Guajajara, que integrava o grupo de agentes florestais indígenas conhecidos como “guardiões da floresta”, que atua no Maranhão, foi assassinado em emboscada de madeireiros.


Bolsonaro prometeu em dezembro entregar ao Congresso um projeto de lei para abrir a floresta à mineração. Uma minuta do projeto foi publicada pelo jornal O Globo. O projeto também quer legalizar as atividades de petróleo e energia nas  terras indígenas.


“Exigimos a garantia da Integridade física e moral de nossas comunidades e lideranças e a punição daqueles que estão matando nossos parentes. Exigimos que cumpra sua responsabilidade constitucional de proteger os territórios indígenas e o meio ambiente, coibindo atividades ilegais e punindo os criminosos”, assinala o documento.


“Temos que nos preparar para enfrentar não só o governo, mas também reagir à violência de alguns setores da sociedade que expressa de forma muito clara o racismo, simplesmente pelo fato de sermos indígenas. Não apenas defendemos o meio ambiente, nós somos a própria natureza. Se matar o meio ambiente, está matando nós”, continuaram os indígenas na carta.


A reunião também deliberou posição contrária à de Bolsonaro quanto ao plantio de monoculturas e exploração de minérios em Terras Indígenas.

“Não podem vender as nossas riquezas, o dinheiro não paga por elas. O nosso território é muito rico, não de dinheiro, somos ricos de diversidade e toda essa floresta depende da nossa cultura para ficar em pé. O que vale para nós é a nossa terra. Isso vale mais do que a vida. Nós cuidamos da nossa terra, sabemos o valor que ela tem. Precisamos proteger aquilo que nossos antepassados deixaram para nós”.


“Concluímos com a certeza que 2020 será um ano de muita luta, e convocamos todos os parentes e os parceiros dos povos indígenas no Brasil e no exterior para um ano de muitas mobilizações, onde devemos estar presentes com a força e a energia de nossos ancestrais em Brasília e nas ruas de todo o mundo”.


A coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sonia Guajajara, advertiu que a situação atual representa “um momento dramático, quase um cenário de guerra” e que os projetos de Bolsonaro prenunciam “uma tragédia para os povos povos indígenas tradicionais e comunidades extrativistas”.


“Não vamos aceitar negociar os nossos territórios e as nossas vidas para resolver problemas da crise econômica que não foi causada por nós”, acrescentou Guajajara, que foi candidata a vice-presidente nas eleições de 2018 pelo Psol. Fonte: Hora do Povo.

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